Notícias e Destaques 5 dicas de como ficar longe da depressão durante o tratamento contra o câncer

O tratamento contra o câncer irá trazer uma série de mudanças nas rotinas tanto do paciente quanto de toda a família, o que propicia diversos estados emocionais, inclusive a depressão.

A depressão é uma doença psicológica que pode ser desenvolvida por qualquer pessoa, em qualquer idade, com uma doença física ou não.

Num número muito restrito de situações a depressão é química.  Ou seja, acontece um distúrbio químico de substancias no cérebro, e a pessoa tem reações físicas e emocionais de depressão.  É o caso do efeito colateral de alguns medicamentos, por exemplo.

Porém na maioria dos casos a depressão é um estado psicológico e comportamental que vai se agravando, até desencadear sintomas mais sérios e permanentes – físicos e psíquicos.

Todos nós já sentimos tédio, culpa, tristeza, desesperança, experimentamos alterações de humor e até já tivemos vontade de sumir do mapa.  Entretanto a pessoa deprimida tem esses sentimentos mais acentuados e persistentes.

Ter desesperança, medo, tristeza intensos no momento em que se recebe um diagnóstico de câncer por exemplo, pode ser considerada uma reação “normal”.  Enfrentamos diversas situações na vida que nos colocam numa posição de total falta de controle, e é compreensível uma alteração psíquica momentânea.  Entretanto, sentir-se desta maneira por um longo tempo, e com piora dos sintomas psicológicos, passa a ser preocupante e característico de um quadro depressivo.

Alguns sintomas da depressão são: apatia, falta de interesse pelas coisas, culpa, desesperança, mudanças de humor, tédio, irritabilidade, isolamento social, agitação ou retardo motor, alterações no sono e no apetite, dificuldades de concentração, fadiga, pensamentos pessimistas persistentes, sensação de menos valia, ideações suicidas.  Eles devem ser observados quase que diariamente no paciente para a caracterização de um quadro depressivo.

Contudo, é possível evitarmos nos colocar em situações propicias para o desenvolvimento da depressão.  Principalmente no momento do tratamento, quando o paciente já enfrentará diversas situações difíceis, é possível prevenir um quadro psicológico depressivo.

 

Dica 1 – É preciso assumir que temos um problema.

Quando assumimos que há um problema, é possível buscar uma solução adequada para resolvê-lo.  Isso não significa se vitimizar e se entregar às dificuldades do tratamento.  É exatamente o contrário:  é assumir a responsabilidade por seu tratamento e por sua condição emocional ao longo dele.  É compreender o que está acontecendo para prever e evitar o sofrimento quando possível, ou encontrar alternativas para enfrenta-lo, quando inevitável.

Quanto mais estiver preparado – com informações detalhadas sobre o que irá acontecer em cada fase, o que podem esperar de efeitos colaterais (inclusive os emocionais) – melhor poderá se preparar para o enfrentamento de possíveis adversidades.

 

 

Dica 2 – Peça ajuda

Cerque-se de pessoas que possam ajudar.  Não é o momento de se preocupar em dar satisfações para aquele parente que só liga para cobrar as coisas; para aquele vizinho que sempre aparece em horas inconvenientes.

É preciso ser claro e objetivo sobre o que você precisa – seja você paciente ou cuidador/familiar.  Peça ajuda para pegar uma guia médica, para ir até a farmácia, pagar uma conta, fazer a limpeza na casa, ir às compras, lavar uma roupa, ou qualquer outra ação que possa lhe ser útil.

Sobrecarregar-se de atividades rotineiras neste momento não ajudará em nada.  Apenas lhe causará mais angustia e frustração.

 

 

Dica 3 – Adote uma rotina de “Bem-Estar”

Depressão não é frescura, preguiça ou falta de vontade.  Mas é resultado de quando paramos de fazer as coisas – então é preciso nos mantermos ativos, tanto quanto nossas condições de saúde permitirem.

É necessário buscar coisas cotidianas para trazer colorido à vida.  Estabeleça uma rotina de “bem-estar”, além daquelas obrigatórias em função do tratamento:  horas de sono e para repouso, alimentação adequada, exercícios físicos e “exercícios mentais” são imprescindíveis – tudo dentro do limite de cada momento do tratamento.

O que chamo de “exercícios mentais” são momentos de relaxamento para que você possa reestabelecer seu equilíbrio emocional.  Um dos exercícios muito simples é a respiração.  Tente parar para prestar atenção em sua respiração, durante apenas um minuto.  Tente se concentrar apenas no ar entrando e saindo das narinas por um minuto.  Busque um local mais tranquilo para esse exercício, e tente manter uma respiração mais suave.  Repita o exercício três vezes ao dia.

 

 

Dica 4 – A hora é agora!

É preciso definir que o tempo de ser feliz é agora – não daqui 2 meses quando terminar o tratamento, não amanhã quando acabar o ciclo forte, mas hoje – agora!  É preciso aproveitar cada coisa que acontece na vida, agora.  

Faça coisas que te agradem, veja pessoas de quem você gosta, leia livros interessantes, veja programas de TV, viaje para a praia ou para o campo, mas faça agora alguma coisa que te deixe feliz.  Qualquer coisa!  Você precisa colocar em sua rotina diária no mínimo 2 momentos em que você irá se dedicar a fazer algo que te deixe feliz.

 

 

Dica 5 – O diagnóstico precoce da depressão é a melhor prevenção.

O tratamento para o câncer pode lhe trazer incômodos físicos, limitações, afastamento de atividades profissionais, sentimento de dependência, etc... Caso você perceba que não está conseguindo perceber que tudo isso é uma situação momentânea.  Caso os sentimentos ruins estejam excedendo os bons, é hora de buscar auxílio profissional psicológico e/ou psiquiátrico.

 

Apatia constante, isolamento social, choro intenso, não ver mais graça nas coisas... iniciar um tratamento o mais breve possível lhe trará um prognóstico muito mais positivo.

 

Infelizmente não há mágica para evitarmos a depressão, mas há caminhos que podemos escolher seguir.  Qual você escolherá?

 

 

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Erika Scandalo -  especialista em Psicologia Clínica, escreve sobre a vida e diferentes formas de aproveitá-la.  Acredita que a felicidade é consequência de uma visão proativa sobre as dificuldades.  Ser feliz é mais um olhar sobre o que se tem, do que ter tudo o que se quer.