Histórias de Pacientes Aline
comunicacao@myeloma.org.br

Olá a todos, meu nome é Aline, atualmente tenho 31 anos, sou meteorologista e moro em Pelotas-RS. Minha história com o MM começou por volta dos 27 anos, entre provas e trabalhos e a correria do dia a dia, aparece uma espuma na minha urina. Na época estava cursando doutorado em meteorologia no INPE, em São José dos Campos-SP, quando iniciei a investigação. Em princípio era uma síndrome nefrótica inicial, então iniciei tratamento, internava e fazia pulsoterapia com solumedrol, fiz dieta vegana pra eliminar a proteína animal da alimentação, isso podia estar piorando a lesão nos rins. Passaram-se os meses e a espuma na urina só aumentava e aumentava … resumindo, passei 2 anos investigando e tratando a doença errada por negligência médica, pois não me testavam pra MM em função da idade. Entrei e sai em mais de 5 consultórios médicos diferentes, até que em abril de 2016 recebi o “nome do bicho”: mieloma múltiplo, câncer maligno. Confesso que antes da médica me dizer o que era eu já tinha visto na internet que o resultado indicava MM, então pra mim não foi surpresa, e eu me senti aliviada, porque finalmente eu poderia tratar a doença certa.

Voltei pra Pelotas-RS, dei início ao tratamento. Em princípio seriam 4 meses de quimio e o transplante, mas não foi bem assim … Fiz mais de um ano de quimio semanal, trocamos 3 vezes de protocolos de medicações até que graças a Deus, meu corpo começou a reagir e responder às medicações. Durante este ano de quimioterapia muita coisa aconteceu: conheci técnicas de meditação que me ajudaram a amenizar os efeitos das medicações, conheci  pessoas que não imaginava conhecer, fiz novos amigos, desenvolvi alergia ao veldade, o governo federal me negou Lenalidomida alegando que eu não estava em estágio terminal, num país como o Brasil em que a corrupção e trambicagem política estão em voga, o juíz negar uma medicação com este argumento é no mínimo revoltante … Com relação à família, aqueles que eu esperava nada, me fizeram tudo, enquanto outros negam a doença até hoje. Eu, particularmente, tenho a sorte de ter ao meu lado a minha irmã, meu anjo da guarda, que parou toda a vida dela para me ajudar quando eu mais precisei. Fiz transplante autólogo em julho de 2017, hoje estou em recuperação, faço uso de Revlimid diariamente. Tenho um pouco de sonolência e cansaço, próprios do MM, mas me sinto ótima, e estou cheia de planos para este ano de 2018, que será o ano do recomeço. Vida nova e planos novos, aprendendo diariamente a conviver harmonicamente com as minhas atuais limitações. Um abraço fraterno a todos e contêm comigo para o que precisarem.

 

Participe. Conte você também a sua história. Clique aqui!