Histórias de Pacientes Anônimo

Diagnosticado no início do ano de 2006 aos 49 anos com mieloma múltiplo, no auge de minha vida produtiva, foi um baque nos meus planos, colocando em xeque aquilo que parecia ser importante para mim. Inicialmente assustado coloquei-me nas mãos de Deus e me submeti a todo tratamento preconizado, sessões de quimioterapias, autotransplante, tratamento de manutenção com talidomida (por quase dois anos sempre reduzindo as doses, mas que deixaram sequelas até hoje), quando parei com qualquer tratamento e fiquei só com controles periódicos. Em 2012 quando me preparava para colocar uma prótese de quadril por conta de uma necrose de cabeça de fêmur, tive uma recidiva, que adiou a colocação da prótese até o término das seis sessões de Velcade, visando um segundo autotransplante, mas optei pela colocação da prótese, com isso ao final de 2013 iniciei o tratamento com Revlimid e venho nesses mais de três anos e meio respondendo muito bem a este tratamento. Resumindo os meus tratamentos, que não deixam de ser importantes, quero trazer aqui que nestes onze anos convivendo com o mieloma múltiplo aprendi que trabalhar por ganância querendo acumular para gastar depois, tendo várias atividades ao mesmo tempo, me afastavam de minha esposa e filhas, de meus familiares, de meus amigos e até de meus hobbies preferidos. Hoje sexagenário, fazendo uma retrospectiva desses últimos anos, posso dizer que, dentro das limitações que a doença traz, trabalho para poder manter o meu padrão de vida e de minha família, fiz a casa dos sonhos meu e de minha esposa, fiz mais viagens junto com minha família, mais pescarias com meus amigos, participei mais da minha comunidade religiosa, enfim, percebo hoje mais a felicidade, que nos quarenta e nove anos anteriores ao mieloma múltiplo.

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