Histórias de Pacientes Deny Xavier e Silva
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Minha história começou em meados de Junho/2016, estava me sentindo em uma rotina estressante de trabalho, trabalho e trabalho. Resolvi iniciar atividades de musculação em uma academia. Após avaliação física dos instrutores iniciei as atividades. No primeiro dia, comecei a sentir dores em ambas as pernas, fui trabalhar, passei a semana e as dores persistiram. Passou-se 20 dias e nada das dores passarem. Resolvi então procurar a médica responsável pela Medicina do Trabalho em minha empresa, e passei minhas queixas para ela. Ela me passou alguns analgésicos para dor, e solicitou exames de sangue diversos para tentar identificar as causas das dores.  Após tomar os analgésicos as dores passaram, e já não dei tanta importância aos exames. Após alguns dias os exames ficaram prontos e encaminhei a médica do trabalho, mesmo sem dar tanta importância a eles. Ela verificou e me chamou para uma conversa.  Entre os exames que ela solicitou, um deles foi o Eletroforese de Proteínas, exame o qual veio com um pico monoclonal, indicando uma possível Gamopatia monoclonal. Ela sugeriu que eu procurasse um Hematologista para que fosse investigado a causa da gamopatia. Poderia não ser nada (Gamopatia Indeterminada) ou poderia ser algo que precisasse de tratamento. No mês seguinte procurei a primeira Hematologista, que viu os exames, examinou meus olhos, minhas mãos, e disse que aquele resultado não significava nada, não possuía anemia, talvez uma falta de vitamina C no sangue. Me indicou 30 dias de vitamina C, e um posterior retorno. No retorno ela só confirmou o que já havia me dito e que não precisava me preocupar, pois não era nada. Após uns 20 dias, não me sentido confortável com os resultados, e algo interiormente me dizendo para procurar um novo médico, resolvemos minha esposa e eu procurar uma nova opinião médica.

Minha esposa, que foi minha grande companheira e fundamental em todo o processo de tratamento, marcou então uma nova consulta, com outro médico, que até então eu não conhecia, “Dr.Leonardo Gomes“. Chegando no dia da consulta já em meados de agosto, levei os exames de sangue, contei minha história para o Dr. Leonardo ele me disse que precisava de uma segunda opinião médica sobre aqueles resultados, embora não sentia nenhum tipo de dor.

Ele então me pediu diversos exames (Ressonância, Raio-X, e novos exames de sangue). E me disse.: “ Quero todos esses resultados para comprovar que você não tem nada”. Após alguns dias, em andamento com os exames, no dia do aniversário do meu filho de 3 anos, em meio ao corre corre para arrumar o salão de festas, comecei a sentir fortes dores na perna esquerda, tomei vários analgésicos, dois, três, quatro, e nada das dores passarem. A festa terminou, e eu me arrastava em meio as pessoas, porque já não caminhava mais, com tanta dor. Durante a noite já não dormi, e pela manhã fui ao hospital para ver a origem de tanta dor. Chegando ao hospital, após alguns exames: raio-x e ressonância da perna, detectaram uma fratura lítica, espontânea no colo do fêmur direito com a bacia, e a recomendação foi necessidade urgente de cirurgia para fixação profilática da perna, pelo risco de quebra do fêmur. Voltei para casa, ainda meio atônito com tudo, andando de muleta e com muitas dores na perna. Já não voltei ao trabalho e fui concluir os exames para voltar ao Hematologista ( Dr.Leonardo ). No dia do retorno já com os exames em mão, e após a avaliação do Médico Oncologista, os exames detectaram  lesões líticas em várias partes do corpo, braços, crânio, além da perna direita. Já fui encaminhado para fazer ali mesmo, uma biópsia de medula óssea. Fiz o exame e encaminhei para o laboratório. Faltava esse resultado para comprovar o Mieloma.

Após alguns dias o resultado saiu, mais não comprovou que a medula óssea estava com Gamopatia monoclonal, seria necessário fazer uma nova biópsia. Enquanto isso fui também ao Ortopedista para ver a situação da perna, e de imediato marcamos uma cirurgia para fixação do fêmur na bacia, com haste intramedular. No dia 18/09  fiz a cirurgia, e no momento da cirurgia colhemos uma nova amostra de medula e repeti a biópsia da medula, que comprovou a Gamopatia Monoclonal. No dia seguinte a cirurgia fui pra casa, para a recuperação. Fiquei por volta de 2 semanas, em total repouso e 80% do tempo na cama. Comecei a sentir fortes dores na coluna, tomei muitos analgésicos, até a base de morfina, a fim de aliviarem as dores, não conseguia nem me sentar no sofá, por 5 minutos, de tantas dores que sentia na coluna, fruto do avanço do mieloma nos ossos da coluna. Após duas semanas, já no mês de outubro, com toda a comprovação que estava com Mieloma Múltiplo fase III, iniciei o tratamento no Centro de oncologia do Hospital Quinta Dor, meu médico, Dr.Leonardo Gomes, receitou 16 sessões de quimioterapia, protocolo CYbord + Zometa e Dexametazona. Já na primeira sessão de quimioterapia, as dores foram diminuindo, diminuindo até não mais me incomodarem. Fiz a segunda sessão e já não existia mais dores. Cada sessão de quimioterapia me sentia melhor. Fiz exames de sangue e no Eletroforese de proteínas, não existia mais pico monoclonal, resultado esse chamado de remissão parcial do Mieloma. A quimioterapia era o combustível para que eu ficasse cada dia melhor. Consegui retornar ao trabalho em novembro de 2016, não sentia mais dores, e não tive efeitos colaterais da quimioterapia, não senti enjoos, não senti náuseas, não tive perda de cabelo, os medicamentos só me fazia sentir cada dia melhor. Continuei trabalhando, novembro, dezembro e janeiro, sem sentir nada, e fazendo quimioterapia toda semana. Ao todos, foram 15 sessões concluídas, e após as quimioterapias, seria necessário o transplante de medula. Após a conclusão das 15 sessões, fiquei um período sem remédios (40 dias), aguardando o transplante de medula óssea. Internei no mês de fevereiro por 3 dias, para colocação do cateter no peito e coleta das células tronco para o transplante. Coleta essa feita por equipe especializada, consegui uma quantidade muito boa de células tronco CD34  -  8 x 10, quantidade que poderia ser usada até para 4 transplantes. Nesse período comecei a sentir dores na perna direita, que me levaram novamente a emergência do hospital, e após avaliação dos médicos, havia também micro lesões no colo do fêmur da perna direita. Voltei para casa com a receita dos analgésicos, porque já estava em vias do transplante de medula.  Após algumas semanas, voltei ao hospital para o então Transplante de medula óssea autólogo. Internei no dia 06/03 e começou todo o procedimento: hidratação, dois dias de quimioterapia protocolo Mel/400, e no dia 09/03 fiz o transplante ( Infusão das células colinas – CD34 ). Até então os procedimentos foram tranquilos e não sentia nada além de ociosidade, por ficar ali na cama do hospital, sendo constantemente avaliado pelos médicos. A partir da infusão, as defesas do organismo começaram a despencar rigorosamente, os leucócitos principalmente te abandonam e seu organismo começa a ficar suscetível. Comecei a ter ferida nos lábios, muita diarreia, falta de apetite, vômitos e indisposição, cada dia a situação piorava. Começava aí a contagem regressiva para que a medula óssea tenha a tão desejada “pega”, (aceite as células tronco infundidas no organismo). São dias difíceis, onde a expectativa só aumenta, para que todos esses sintomas indesejáveis vão embora.

Passei nove dias me sentindo mal, tomando vários antibióticos, até a pega na Medula. No nono dia, a medula aceitou as células transfundidas, e a partir daí o organismo começou novamente a produzir as suas defesas, a sensação é fantástica em saber que o transplante teve sucesso, o organismo ainda está debilitado, mais é um alívio sem igual. Após dois dias e com 15 dias de hospital, fui para casa com as devidas orientações médicas, repouso, alimentação balanceada, evitar locais movimentados, e viroses. O ápice do transplante, pela consideração médica são 100 dias, contado a partir da infusão das células. No meu caso com 49 dias, meu organismo já tinha se recuperado, e já estava retornando ao trabalho novamente.

Bem essa é minha experiência até o momento com o Mieloma Múltiplo, nunca imaginei passar por tamanho problema, frente aos planos que fazemos em nossas vidas. Algo que considero todo o diferencial em meu tratamento foi, a confiança em Deus, o apoio inigualável da minha família, principalmente minha esposa, e a postura que tomamos frente a uma notícia, em que você está com um câncer na medula óssea. Em momento nenhum perdi as forças e as esperanças, não deixei que o psicológico ou a razão falasse mais forte que meu coração, muito pelo contrário, tinha a certeza que seria mais um desafio na minha vida. E se foi da permissão de Deus, seria também necessário enfrentar com a cabeça erguida, e sobretudo que minha vida estava em suas mãos, como sempre esteve. Nunca se abale, diante de uma notícia ruim, por pior que seja. Lembre-se,  seja qual for sua religião ou sua fé, confiança em Deus, faz toda a diferença.

 

“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera” Isaías 64:4.

 

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