Histórias de Pacientes Gislene Feiten Haubrich
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Escrevo para contar uma história, cujo fim, felizmente, foi postergado e, com muita fé, acreditamos e pedimos para que assim permaneça. Em 2011, minha mãe apresentou os primeiros sintomas do MM, mas não fazíamos a mínima ideia de que a doença existia ou ainda do que viveríamos até tomar conhecimento dela. Dores no pescoço levaram minha mãe ao médico do SUS, pois ela não tinha plano de saúde. A médica fez pouco caso das dores e mandou ela praticar exercícios. Minha mãe fez. Foram três meses de exercícios, que a cada semana, ficavam mais difíceis e lentos para execução. As dores aumentaram drasticamente e também se espalharam para outras partes do corpo. Foram muitas madrugadas na UPA na frustrada tentativa de medicar, reduzir a dor e resolver o problema. Foram 9 médicos diferentes, do SUS, particulares, de especialidades diferentes. Remédios dos diversos tipos e objetivos. Nada resolvia. Ao contrário, minha mãe só piorava e piorava, ao ponto de reduzir 15 centímetros de sua altura devido as fraturas ósseas que vinha sofrendo e agravando pelo diagnóstico equivocado de osteoporose severa. Ela não comia mais sem ajuda. Não conseguia tomar banho ou se vestir sozinha. Foi um trauma profundo: minha mãe que jamais teve gripe, estava absolutamente anulada. A dor dela era física, pois fraturas tomavam conta da sua coluna e costelas, mas a dor dela era no coração: as perdas de autonomia e de altura foram duras. Em setembro de 2012 tivemos o diagnóstico. Uma doença de nome estranho, que jamais ouvimos falar. Buscamos informações na internet em geral e foi avassalador. No início do tratamento com o hematologista, Dr. Cláudio, do Hospital Regina (NH/RS) desabei e ele me deu muita esperança. Orientou que eu parasse de buscar informações sem procedência. Foi então que descobri a IMF. Recebemos os informativos e nos preparamos para a luta que viria. Eu estava com meu casamento marcado para novembro de 2013. Travamos uma luta com o tempo, pois minha mãe não quis que alterássemos a data. Foram sete meses de quimioterapia semanal. Em julho de 2013, ela coletou as células para transplante autólogo da medula, que aconteceu em setembro. Minha mãe, muito ajuizada, seguiu estritamente as orientações médicas e teve muito êxito no transplante, apesar de todas as dificuldades que ele traz no processo (perda de cabelo, náuseas, vômitos, diarreias...). Hoje, a dona Carmem comemora dois aniversários: seu nascimento e seu renascimento, em 06 de setembro de 2013. Este é o quarto ano pós- transplante e felizmente ela não teve nenhuma complicação posterior, além das sequelas da doença. Mas, graças a Deus, seguimos felizmente nosso caminho! Força e fé para todos.

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